O que está por trás da recuperação da Bolsa brasileira em 2025
Por Eduardo Castilho · 5 de julho de 2025 · Atualizado em 7 de julho de 2025
O Ibovespa acumula alta de 18% no ano. Para quem acompanhou os dois anos anteriores — marcados por volatilidade extrema, saída de capital estrangeiro e incerteza fiscal — o número parece surpreendente. Mas há uma narrativa mais cuidadosa por trás dos dados.
Três fatores principais explicam a recuperação: a estabilização do quadro fiscal, a queda gradual da inflação e, talvez mais importante, a recomposição do fluxo de capital estrangeiro. O Brasil voltou ao radar de fundos internacionais que haviam reduzido sua exposição ao país entre 2022 e 2024.
O papel do capital estrangeiro
Dados da B3 mostram que o saldo de capital estrangeiro na Bolsa acumula entrada líquida de R$ 28 bilhões no primeiro semestre de 2025 — o melhor resultado desde 2019. Parte disso é um movimento global de busca por mercados emergentes com fundamentos mais sólidos. Parte é específica do Brasil.
"O Brasil passou por um ajuste fiscal mais crível do que o mercado esperava. Isso mudou a percepção de risco", avalia o economista Paulo Siqueira, da gestora Atlântico Capital.
"O fluxo estrangeiro não voltou porque o Brasil ficou perfeito. Voltou porque ficou menos incerto do que as alternativas." — Paulo Siqueira, Atlântico Capital
Os riscos que o mercado prefere não discutir
A alta do Ibovespa está concentrada em poucos setores: commodities, bancos e energia elétrica respondem por mais de 60% da valorização. Empresas de consumo doméstico e varejo seguem pressionadas pelo juro alto e pelo endividamento das famílias.
Há também o risco externo. A desaceleração da economia chinesa — principal destino das exportações brasileiras de minério e soja — pode reverter rapidamente o fluxo de capital. E a política monetária americana, ainda incerta, mantém pressão sobre o câmbio.
A recuperação é real. Mas comemorar sem cautela seria um erro que o mercado brasileiro já cometeu antes.
Eduardo Castilho é editor-chefe da UltraBR. Economista formado pela FGV. Este artigo é informativo e não constitui recomendação de investimento.