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O inverno das fintechs brasileiras: o que os números realmente mostram

Por Rafael Drummond · 28 de junho de 2025

O ecossistema de fintechs brasileiro foi, por alguns anos, o mais aquecido da América Latina. Rodadas bilionárias, valuations estratosféricos, cobertura internacional entusiasmada. Depois vieram os juros altos, a retração do capital de risco global e uma série de ajustes dolorosos.

Mas chamar o momento atual de "inverno" pode ser impreciso. Os dados mostram algo mais nuançado.

O que os números dizem

O volume total de investimentos em fintechs brasileiras caiu 43% em 2024 em relação ao pico de 2021. Mas o número de rodadas caiu apenas 18%. O que isso significa? Rodadas menores, sim — mas não necessariamente menos startups sobrevivendo.

O que está acontecendo é uma compressão de valuations e uma seleção natural. Empresas que dependiam de crescimento a qualquer custo estão tendo dificuldades. Empresas com modelo de negócio sustentável estão conseguindo capital, ainda que a condições menos favoráveis do que antes.

Consolidação acelerada

O número de fusões e aquisições no setor de fintechs cresceu 67% em 2024. Grandes players estão comprando concorrentes menores a preços muito abaixo do que pagariam dois anos atrás. Para os fundadores que precisam vender, é um momento difícil. Para o setor como um todo, pode ser um processo de maturação necessário.

"O Brasil ainda tem um dos sistemas financeiros mais inovadores do mundo, graças ao Pix e ao Open Finance. O ecossistema de fintechs vai continuar relevante — só vai ser diferente do que era", avalia a analista Carla Mendes, da consultoria Fintech Insights.

Rafael Drummond acompanha o mercado de venture capital e startups para a UltraBR.